Quase todo pequeno negócio conhece a IA. Poucos a usam todos os dias
A pesquisa do Sebrae e da FGV IBRE com cerca de 5 mil empresas mostra uma distância que explica por que tanta IA não vira resultado: conhecer a ferramenta não é o mesmo que ter IA trabalhando dentro da operação.

Quase todas as empresas brasileiras já ouviram falar de IA generativa. Quando a pergunta é se ela trabalha dentro da operação, o número cai. A pesquisa Uso de IA nos Negócios, do Sebrae e da FGV IBRE, feita em dezembro de 2025 com cerca de 5 mil empresas de todos os portes e divulgada em janeiro, mostra a distância com clareza.
O que a pesquisa mostra
- Conhecimento: 99% das médias e grandes empresas, 96% das micro e pequenas e 87% dos microempreendedores individuais (MEI) dizem estar familiarizados com ferramentas como ChatGPT ou Gemini.
- Uso frequente: 35% nas médias e grandes, 15% nas micro e pequenas e 18% entre os MEI.
- Uso nas atividades do negócio: 63%, 46% e 42%, respectivamente.
- Para quê: nas micro e pequenas e entre os MEI, o uso se concentra em marketing e divulgação (59% e 74%). Nas médias e grandes, o primeiro lugar é a análise de dados (67%).
- Dificuldade: nas micro e pequenas, a resposta mais comum é “nenhuma dificuldade” (30%). Entre os MEI, a principal é não saber como aplicar a IA ao negócio (23%). Nas médias e grandes, é a segurança e a privacidade dos dados (35%).
O que isso quer dizer
Quem usa IA para escrever uma legenda ou um e-mail não encontra dificuldade, porque a ferramenta funciona sozinha, fora do processo da empresa. É o uso mais fácil e o primeiro a aparecer. Por isso “nenhuma dificuldade” lidera entre as pequenas, enquanto a análise de dados, que exige ligar a IA a informação organizada, aparece só em terceiro lugar (30%).
O trabalho que pesa no dia a dia é outro: responder o cliente fora de horas, confirmar uma agenda, conferir documentos, atualizar um sistema com dados de outro. Para a IA fazer isso, ela precisa estar ligada aos sistemas, ter regras claras sobre o que pode executar e saber quando pedir aprovação a uma pessoa. É aí que aparece a dificuldade real, e é aí que a maioria dos investimentos se perde.
O mesmo padrão, em outros números
Fora do Brasil o desenho se repete. A McKinsey (State of AI 2025) aponta que 88% das organizações já usam IA em ao menos uma função, mas só 39% veem algum impacto no resultado, na maioria dos casos abaixo de 5%. O BCG (Widening AI Value Gap, 2025) estima que apenas 5% das empresas geram valor em escala. Em Portugal, o INE registou que 11,5% das empresas usam IA, e 9,4% entre as pequenas, segundo o ECO.
Brasil e Portugal partem de pontos diferentes (conhecimento alto de um lado, uso baixo do outro), mas chegam ao mesmo problema: a distância entre adotar uma ferramenta e ter um agente trabalhando dentro da operação.
O que fazer
- Liste o trabalho repetitivo da operação, não as ferramentas. Onde alguém copia dados de um sistema para outro? Onde um cliente espera por uma resposta?
- Escreva a regra que decide cada caso. Se ninguém consegue explicar como a decisão é tomada, ainda não é hora de automatizar.
- Defina o que fica com uma pessoa. Ações reversíveis e autorizadas, o agente executa. Ações sensíveis, pede aprovação. Risco, conflito ou ambiguidade, escala.
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Fontes
Publicado em 14 de outubro de 2026. Os fatos refletem as fontes citadas na data de publicação, e o texto é atualizado quando há decisão ou fato novo. Conteúdo informativo, não aconselhamento jurídico. Para um caso concreto, consulte um profissional habilitado.

