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Quase todo pequeno negócio conhece a IA. Poucos a usam todos os dias

A pesquisa do Sebrae e da FGV IBRE com cerca de 5 mil empresas mostra uma distância que explica por que tanta IA não vira resultado: conhecer a ferramenta não é o mesmo que ter IA trabalhando dentro da operação.

Lojista de óculos confere o celular ao lado de uma caixa de encomenda
Foto animada · Pexels. O uso mais comum da IA nas pequenas empresas ainda é marketing e comunicação, não a operação.

· Por Grupo Áurea · 6 min de leitura

Quase todas as empresas brasileiras já ouviram falar de IA generativa. Quando a pergunta é se ela trabalha dentro da operação, o número cai. A pesquisa Uso de IA nos Negócios, do Sebrae e da FGV IBRE, feita em dezembro de 2025 com cerca de 5 mil empresas de todos os portes e divulgada em janeiro, mostra a distância com clareza.

O que a pesquisa mostra

  • Conhecimento: 99% das médias e grandes empresas, 96% das micro e pequenas e 87% dos microempreendedores individuais (MEI) dizem estar familiarizados com ferramentas como ChatGPT ou Gemini.
  • Uso frequente: 35% nas médias e grandes, 15% nas micro e pequenas e 18% entre os MEI.
  • Uso nas atividades do negócio: 63%, 46% e 42%, respectivamente.
  • Para quê: nas micro e pequenas e entre os MEI, o uso se concentra em marketing e divulgação (59% e 74%). Nas médias e grandes, o primeiro lugar é a análise de dados (67%).
  • Dificuldade: nas micro e pequenas, a resposta mais comum é “nenhuma dificuldade” (30%). Entre os MEI, a principal é não saber como aplicar a IA ao negócio (23%). Nas médias e grandes, é a segurança e a privacidade dos dados (35%).

O que isso quer dizer

Quem usa IA para escrever uma legenda ou um e-mail não encontra dificuldade, porque a ferramenta funciona sozinha, fora do processo da empresa. É o uso mais fácil e o primeiro a aparecer. Por isso “nenhuma dificuldade” lidera entre as pequenas, enquanto a análise de dados, que exige ligar a IA a informação organizada, aparece só em terceiro lugar (30%).

O trabalho que pesa no dia a dia é outro: responder o cliente fora de horas, confirmar uma agenda, conferir documentos, atualizar um sistema com dados de outro. Para a IA fazer isso, ela precisa estar ligada aos sistemas, ter regras claras sobre o que pode executar e saber quando pedir aprovação a uma pessoa. É aí que aparece a dificuldade real, e é aí que a maioria dos investimentos se perde.

O mesmo padrão, em outros números

Fora do Brasil o desenho se repete. A McKinsey (State of AI 2025) aponta que 88% das organizações já usam IA em ao menos uma função, mas só 39% veem algum impacto no resultado, na maioria dos casos abaixo de 5%. O BCG (Widening AI Value Gap, 2025) estima que apenas 5% das empresas geram valor em escala. Em Portugal, o INE registou que 11,5% das empresas usam IA, e 9,4% entre as pequenas, segundo o ECO.

Brasil e Portugal partem de pontos diferentes (conhecimento alto de um lado, uso baixo do outro), mas chegam ao mesmo problema: a distância entre adotar uma ferramenta e ter um agente trabalhando dentro da operação.

O que fazer

  1. Liste o trabalho repetitivo da operação, não as ferramentas. Onde alguém copia dados de um sistema para outro? Onde um cliente espera por uma resposta?
  2. Escreva a regra que decide cada caso. Se ninguém consegue explicar como a decisão é tomada, ainda não é hora de automatizar.
  3. Defina o que fica com uma pessoa. Ações reversíveis e autorizadas, o agente executa. Ações sensíveis, pede aprovação. Risco, conflito ou ambiguidade, escala.

Quem quiser um ponto de partida pode fazer o nosso Índice de Prontidão Operacional: 18 afirmações, seis dimensões, quatro minutos.

Fontes

  1. Blog do IBRE (FGV): Uso de IA nos negócios, pesquisa Sebrae e FGV IBRE com o Google (28/1/2026)
  2. Agência Sebrae: pesquisa sobre uso de IA nos pequenos negócios
  3. McKinsey: The State of AI 2025
  4. BCG: The Widening AI Value Gap (outubro de 2025)
  5. ECO: só 11,5% das empresas portuguesas usam IA (INE, 21/11/2025)

Publicado em 14 de outubro de 2026. Os fatos refletem as fontes citadas na data de publicação, e o texto é atualizado quando há decisão ou fato novo. Conteúdo informativo, não aconselhamento jurídico. Para um caso concreto, consulte um profissional habilitado.

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